MCom e Telebras apresentam protótipo de internet móvel via SGDC e celular para veículos

O presidente da Telebras, Jarbas Valente, apresentou ao ministro Fábio Faria na tarde desta terça-feira, 23, na sede do Ministério das Comunicações, em Brasília, um protótipo do sistema de conexão móvel em banda Ka via Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC) e, também, pelo LTE (celular) das diversas operadoras, para veículos em movimento em todo o território nacional.

 

Inclusive em áreas com pouco ou nenhum acesso à internet, a tecnologia oferece uma série de aplicações práticas para a atuação dos órgãos de segurança pública, saúde, defesa civil, agronegócio e proteção ao meio ambiente, além de oferecer conexão contínua à internet aos usuários de ônibus, três, embarcações e atendimentos de emergência, a uma velocidade de 20 Mbps de download e 2 Mbps de upload.

 

Uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) poderá saber durante um trajeto na estrada, independentemente de haver ou não sinal de telefonia celular ou dados móveis, qual é o hospital mais próximo ou mesmo atualizar a equipe médica sobre o estado do paciente, por exemplo.

 

Equipes do Corpo de Bombeiros, que atuam no combate aos focos de incêndio no Pantanal ou Amazônia, conseguirão se comunicar com os respectivos quartéis e enviar todas as informações sobre a situação do local, incluindo fotos e vídeos em tempo real. A novidade também tem potencial para auxiliar as Polícias Federal e Rodoviária Federal (PRF) nas operações contra tráfico de drogas e contrabando.

 

Na região Norte do país, onde distâncias são medidas por dias de barco na maior bacia hidrográfica do mundo, o equipamento poderá equipar as embarcações e conectar tripulantes e passageiros ao restante do mundo.

 

Inovação

 

A Telebras e sua parceira estratégica, a Viasat do Brasil, trouxeram essa solução de tecnologia híbrida para ser desenvolvida no país. Foi experimentada por 17 órgãos do Governo Federal, que avaliaram a conectividade pelo SGDC em movimento, transferência do acesso à internet da banda Ka para as operadoras de celular, e vice-versa. Tiveram a oportunidade de navegar em sites de serviços, realizar chamadas de voz e vídeo, e realizaram streaming de vídeo, tudo sem comprometer a conexão com a internet ou exigir tempo de espera, seja pelo SGDC, seja pelo LTE, estando o veículo em baixa ou alta velocidade.

 

“Inovação é que traz solução com melhor custo-benefício e pretendemos expandir essa mobilidade para o mercado privado no Brasil, sobretudo empresas de ônibus”, disse o presidente da Viasat, Leandro Gaunszer.

 

Segundo Jarbas Valente, os usuários demonstraram alta satisfação com a tecnologia, atribuindo notas entre nove e 10. “Todos consideraram a solução muito útil”, acrescenta ele.

 

Utilidade, facilidade e segurança foram os termos centrais utilizados pelo presidente dos Correios (ECT), General Floriano Peixoto, ao se referir à proposta ali apresentada, já que a empresa possui uma grande vocação social e é responsável por significativa parcela da logística no país.

 

“Isso tem uma importância enorme para os Correios, que atua com 3.250 caminhões em todos os municípios brasileiros. Além de trazer facilidade, representa enorme oportunidade de rastreamento e segurança para nossas operações e operadores”, destacou Floriano Peixoto.

 

O presidente da Telebras salientou os esforços contínuos em prol da inovação e do desenvolvimento de tecnologias e aplicações, ao lado da Viasat do Brasil, que venham a promover cada vez mais inclusão social e digital dos brasileiros, sobretudo nas localidades mais carentes e isoladas.

 

Ele destacou os mais de 13 mil pontos de Wi-Fi Brasil (Gesac) instalados hoje no Brasil, levando o acesso à internet a 645 unidades básicas de saúde, das quais 232 estão em áreas indígenas; 574 unidades de segurança e mais de 9.600 escolas municipais e estaduais, a grande maioria rurais. “Hoje são mais de 2,6 milhões de estudantes conectados”, completou.

 

Jarbas Valente observou a tamanha necessidade de conectividade dos moradores em pontos distantes e carentes no país ao demonstrar que nos 14 pontos de Wi-Fi Brasil (Livre) instalados no Brasil, só nos dois primeiros meses deste ano, notadamente no Norte-Nordeste, os membros dessas comunidades já fizeram 16 mil acessos à internet, com 134 minutos, em média, em cada conexão, sendo em torno de seis conexões por usuário. “Ao todo, só nesse período, registramos 800 Gbps de dados trafegados e 100% dos acessos foram feitos por celular”, acrescentou.

 

“Ainda existe no Brasil um enorme deserto digital, onde cerca de 20% da população brasileira não têm acesso à internet. Ao chegarmos com conectividade numa localidade com 300 pessoas, a gente vê a felicidade de todos que não tinham acesso à internet.  Isso que fazemos, nessa parceria entre Ministério das Comunicações, Telebras e Viasat, não é só levar internet, é levar um pouco mais de cidadania a todas essas pessoas isoladas. É um trabalho grandioso que dignifica muito o ministério. Temos que investir muito mais em tecnologia e comunicações para termos um Brasil todo conectado em poucos anos”, frisou o ministro Fábio Faria.

 

Em seguida, ao se referir ao sistema de conexão móvel via SGDC e LTE para acesso à internet, o ministro se dirigiu aos membros da Polícia Rodoviária Federal ali presentes: “essa solução que hoje apresentamos é muito importante, com ela vocês vão ter a oportunidade de ampliar operações mais sensíveis”.

 

Como é a antena móvel por satélite

 

O protótipo da antena, que usa a banda Ka do SGDC e também o celular (LTE) das diversas operadoras, está em fase de testes mercadológicos e de desenvolvimento. O dispositivo foi criado com o apoio da Agência Espacial Europeia e pode manter a conexão com o do SGCD a velocidades de até 185 Km/h, mesmo que haja mudanças bruscas de altitude e direção, situação comum no Brasil.

 

O equipamento pesa cerca de 40 quilos, possui 1,30 metro de diâmetro por 33 cm de altura, é fixada no teto do veículo e consome em torno de 300 Watts de energia quando está conectado. A fonte de alimentação de energia precisa de uma tensão de 12V ou 24 V. Para garantir 100% da precisão necessária, os painéis da antena são fabricados por meio de impressão 3D.

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