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SGDC chega à posição final em órbita, onde vai permanecer pelos próximos 18 anos, a 36 mil quilômetros de altitude em relação à superfície da Terra

14 de junho de 2017

Horário exato do deslocamento do Satélite para o seu destino final foi às 5h40 da madrugada de domingo (11/06)

Satélite Geoestacionário na base de lançamento na Guiana Francesa (Fonte: Arianespace)

Foram 38 dias, entre viagem e acomodação em órbita. Prazo previsto e cumprido com excelência pela equipe que produziu e lançou, no dia (04/05), o primeiro Satélite Geoestacionário Brasileiro de Banda Larga. Para o Presidente da Telebras, Antonio Loss, o Satélite vai deixar um legado para todas as comunidades do Brasil.

“Vivemos a era da conectividade e o Satélite vai permitir acesso à Banda Larga para todas as regiões do País, incluindo as mais distantes e remotas, levando educação, pesquisa, integração, prestação de serviços como internet para escolas rurais e postos de saúde. O SGDC vai trazer inclusão à cidadania, aumentando a competitividade nas empresas e cumprindo com a missão social e digital de conectar e integrar todos os lugares desse imenso País”, diz o Presidente da Telebras.

Testes com sucesso
“Todas as semanas temos o que comemorar quanto aos testes do SGDC. No último domingo (11/06) foi mais um desses dias importantes. O Satélite foi deslocado da posição de testes para a posição final de operação, a 75° oeste. Eram 5h40min da madrugada no Brasil quando o artefato foi acomodado no seu lugar definitivo no espaço, para os próximos 18 anos”, celebra o Diretor Técnico-Operacional, Jarbas Valente.

A previsão de testes para a fase atual do SGDC em órbita está adiantada. É um trabalho que vem sendo executado pelos profissionais que ficam lotados no Centro de Controle em Cannes, na França, e nos Centros de Operações Espaciais de Brasília e do Rio de Janeiro.

“Até agora todos os testes que envolvem verificação da cobertura do Satélite, do comportamento do sistema de radiação das antenas, transmissores do SGDC, estão indicando respostas conforme o esperado”, diz Valente.

Próxima etapa
A partir de 15 de junho inicia uma outra fase, a “Handover”, que é a passagem definitiva do comando da operação do SGDC para a Telebras.

“Essa etapa chegará ao fim em 30 de junho e a partir de então todo o comando do Satélite estará sob a responsabilidade da Telebras”. Os dados são do gerente de Engenharia e Operações de Satélites da Telebras, Sebastião do Nascimento Neto.

Preparativos para os testes fim-a-fim
Em julho, segundo Sebastião, iniciam os preparativos para os testes fim-a-fim. “Nesses testes será avaliada a real capacidade e as condições de cobertura requeridas pelo SGDC. Com o êxito desta parte final, a Telebras já poderá ativar clientes na Rede do Satélite”, conclui o gestor.

Entenda o Projeto SGDC
Lançado ao espaço a bordo de um foguete do Centro Espacial de Kourou, na Guiana Francesa, o SGDC também terá importante papel social. Convênios assinados entre os ministérios da Educação e da Saúde e a Telebras vão permitir que pelo menos 7 mil equipamentos públicos municipais, estaduais e federais possam conectar-se à rede mundial de computadores. Na avaliação do ministro Gilberto Kassab, essas ações vão elevar a qualidade dos serviços públicos e melhorar as condições de cidadania da população.

“Isso é notável. Qualquer escola da região Norte, Nordeste, Sul, Sudeste e Centro-Oeste terá, em poucos meses, acesso à banda larga, fazendo com que a educação seja de melhor qualidade. E, da mesma maneira, possibilitará, por meio desse satélite, levar a banda larga a qualquer equipamento de saúde pública do nosso país”, disse Kassab.

As Forças Armadas terão 30% da capacidade do SGDC dedicadas exclusivamente para o uso em comunicações estratégicas de defesa e do governo. Segundo o ministro Raul Jungmann, esta característica, aliada ao fato de o equipamento ser totalmente controlado por especialistas brasileiros, garante uma soberania nunca antes alcançada pelo país.

“Esse é um projeto de imenso sucesso que representa um grande passo no sentido da soberania, na medida em que é o primeiro satélite estritamente operado por brasileiros. E, evidentemente, também para o governo, pois as suas comunicações estratégicas estarão blindadas de qualquer tipo de tentativa de obter essas informações tão essenciais para os brasileiros e brasileiras”, enfatizou.

Continuidade do Programa
O governo brasileiro, porém, já trabalha em novos projetos. O ministro Gilberto Kassab revelou que o MCTIC e o Ministério da Defesa foram incumbidos pela Presidência da República de iniciar a preparação de uma série de novos satélites geoestacionários. “Por determinação do presidente Temer, os ministérios já estão envolvidos, junto com a Telebras, para que possamos iniciar o planejamento da continuidade desse programa.”
O Satélite
O SGDC é o primeiro equipamento geoestacionário brasileiro de uso civil e militar. Fruto de uma parceria entre o MCTIC e o Ministério da Defesa, recebeu R$ 2,7 bilhões em investimentos. Adquirido pela Telebras, tem uma banda Ka, que será utilizada para comunicações estratégicas do governo e implementação do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) – especialmente em áreas remotas –, e uma banda X, que corresponde a 30% da capacidade do equipamento, de uso exclusivo das Forças Armadas.

Além de assegurar a independência e a soberania das comunicações de defesa, o acordo de construção do satélite envolveu largo processo de absorção e transferência de tecnologia, com o envio de 50 profissionais brasileiros para as instalações da Thales Alenia Space, em Cannes e Toulouse, na França. São especialistas da Agência Espacial Brasileira (AEB) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) – entidades vinculadas ao MCTIC –, além do Ministério da Defesa e das empresas Visiona e Telebras.

Esses profissionais, engenheiros e técnicos, aprenderam a operar e controlar o equipamento em solo, um trabalho que será feito por militares a partir do 6º Comar e da Estação de Rádio da Marinha, no Rio de Janeiro (RJ). Também há outras cinco gateways – estações terrestres com equipamentos que fazem o tráfego de dados do satélite – que estão sendo instaladas em Brasília, Rio de Janeiro, Florianópolis (SC), Campo Grande (MS) e Salvador (BA).

“Durante toda a construção do satélite, houve uma atuação coordenada dos engenheiros da Telebras e da Visiona que acompanharam o processo de construção do equipamento na França, além da transferência de tecnologia para as empresas nacionais que participaram desse processo. A partir da entrada em operação, os engenheiros capacitados terão todo o controle do equipamento nos centros de operação de Brasília e Rio de Janeiro”, afirmou o assessor de Assuntos Internacionais da Telebras, Luiz Fernando Ferreira Silva.

Processo
A aquisição do satélite da Thales Alenia Space ocorreu após uma competição internacional, via contrato com a Visiona, uma joint venture entre a Telebras e a Embraer. A criação da Visiona, em 2012, corresponde a uma das ações selecionadas como prioritárias no Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE) para atender aos objetivos e às diretrizes da Política Nacional de Desenvolvimento das Atividades Espaciais (PNDAE) e da Estratégia Nacional de Defesa (END).

Com 5,8 toneladas e 5 metros de altura, o equipamento ficará posicionado a uma distância de 36 mil quilômetros da superfície da Terra, cobrindo todo o território brasileiro e o Oceano Atlântico. Ele tem capacidade de operação por até 18 anos.

 

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