Imprimir Imprimir

Telebras precisa de parcerias privadas para explorar satélite nacional

3 de março de 2017

O modelo de venda da capacidade de transmissão do satélite geoestacionário brasileiro, com lançamento programado para o próximo dia 21 de março, na Guiana Francesa, aproximará a Telebras das maiores operadoras de telecomunicações do país. O leilão deve ocorrer no início de abril.

O ministro da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações (MCTIC), Gilberto Kassab, afirma que a limitação de caixa da Telebras levou o governo a decidir pela parceria com as prestadoras privadas. Sem poder contar com novos aportes expressivos do Tesouro Nacional, a Telebras terá um ritmo de oferta de novas conexões diferente das demais operadoras.

“O atual governo já fez um esforço brutal de, mesmo diante de uma grave crise, garantir quase R$ 800 milhões que nos deram condições de lançar o satélite. A partir de agora, não temos mais o dinheiro do Tesouro”, afirmou Kassab. Ao todo, o projeto custou R$ 2,1 bilhões.

O ministro explicou que a Telebras estruturou um plano de negócios para assegurar a expansão, mesmo que seja em um ritmo mais lento. “A Telebras fará somente os investimentos compatíveis com sua receita”, ressaltou.

Assegurados 30% do sinal de satélite à comunicação estratégica das Forças Armadas, a estatal vai destinar outros 70% à oferta comercial de conexão para cobrir todo o território nacional. As informações estão na consulta pública, que foi aberta na semana passada para discutir as regras da licitação.

“Poderemos contratar operadoras para atendermos os objetivos da Telebras que foram definidos lá atrás, mantidos até hoje”, disse Kassab, ao Valor em Barcelona. O ministro viajou com representantes do governo brasileiro para a cidade espanhola para participar do Mobile World Congress 2017.

A estatal, que deixou de atuar no mercado após a privatização do setor, foi reativada pelo governo do ex-presidente Lula, em 2010, para dar suporte ao Plano Nacional de Banda Larga (PNBL). Na época, a estratégia do governo foi rejeitada por resistência dos grandes grupos privados. A questão só não foi parar na Justiça porque a estatal se comprometeu ofertar de serviços somente nas redes de atacado – oferecendo serviços a pequenos provedores – longe das regiões com mercado mais atrativo.

“Com direito de usar o sinal de satélite, as operadoras vão levar rede onde hoje elas não possuem. É interessante porque terão muito mais facilidades de chegar nesses locais com a Telebras do que se tivessem que chegar lá sozinhas”, afirmou o ministro.

Acompanhando o ministro, o novo presidente da Telebras, Antonio Loss, disse que tanto as operadoras quanto a estatal tem interesse em comum no uso de capacidade de satélite. “Muitas regiões do país não são cobertas pelos serviços das operadoras porque não tem disponibilidade de banda larga. O satélite vai resolver isso em todo país”, disse o executivo.

Também na Espanha, o secretário de Telecomunicações do MCTIC, André Borges, rejeitou a ideia de que a estatal existe apenas para atender a demanda de provedores regionais de conexão à internet. “A Telebras é um braço forte do plano de conectividade em qualquer tecnologia. O satélite não será lançado apenas para o modelo atual de oferta de redes físicas [de fibras ópticas] para os pequenos provedores”, afirmou o técnico do governo ao Valor.

Ele ressaltou que o modelo de licitação apresentado pela Telebras será capaz de promover uma “intensa competição” no mercado que será explorado. “Estamos otimizando a forma de disponibilizar essa infraestrutura no mercado, com mais competição. Vamos ter, em todo território nacional, todas as operadoras que compraram capacidade de satélite concorrendo entre si para prover conexão para o usuário final”, disse Borges.

O presidente da Telebras informou que o satélite geoestacionário brasileiro vai operar com tecnologia que permite a entrega de velocidades de conexão de até 20 Megabits por segundo (Mbps). “Essa tecnologia está sendo utilizada no mundo hoje para a internet via satélite com altas taxas de velocidade com pouca interrupção. É o modelo mais seguro que temos para fazer internet em países continentais como o Brasil”, afirmou Loss.

Por Rafael Bitencourt | Valor Econômico

*Repórter viajou a convite da NEC

Foto: Visiona

Satélite está programado para ser lançado ao espaço no dia 21 de março.

 

 

Deixe um comentário!

*required

XHTML: Pode usar as tags: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>